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segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Pequena

Ultimamente se sentir pequena tem sido uma rotina, e decadência nunca foi uma palavra tão proferida. É bem complicado ter a vida virada de cabeça pra baixo justo quando já tínhamos planejado tudo. E mais difícil ainda é seguir em frente quando a gente não pode ficar parado, mas também não pode escolher pra onde ir. E essa sensação de invalidez me diminui a cada dia que passa. 

Sem movimento e sem chance de mudanças. Seria bom tomar as rédeas da situação uma vez, só pra variar. 

Sem cor

Não sei mais o que fazer ou que tipo de coisas tentar. Às vezes as coisas insistem em se manter preto e branco que não importa o quanto a gente tente, parece que elas nunca vão ser coloridas, ou pelo menos ter um pouco mais de graça. Apesar de eu ser simpatizante da rotina vez ou outra, quando as coisas começam a ficar normais de mais, frias de mais, simples e previsíveis de mais...elas acabam virando desinteressantes. Quer dizer, muitas vezes nem vale tanto a pena o esforço tremendo que a gente faz pra se manter num salto 15 preto, mais vale uma sapatilha laranjada que te enche de cor e dá menos trabalho. Não? 

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Uma pizza basta

Há quase um mês os dias têm sido bem estranhos. Acompanhados de uma sensação de fim cujo final da história estava fora do meu alcance. E onde isso culminou? No ontem.

Nunca fui do tipo que gostou de despedidas, porque eu sempre choro durante elas e eu odeio que as pessoas me vejam chorar, odeio que elas pensem que sou frágil (por isso sempre choro no ônibus, mas isso é história pra outro post). E sempre que posso evito essas grandes cenas em que cada um se despede como se fosse passar para um outro plano da vida e nunca mais houvesse a possibilidade desses seres se reencontrarem. Acho isso desnecessário. Sempre achei. Mas o fator maior que me faz odiar esses momentos é o choro compulsivo que despejo. Sou do tipo que ou se apega rápido demais ou nunca se apega, então se for pra ser realmente, em duas semanas me apego de tal maneira às pessoas que passam à integrar a minha rotina que depois desse tempo mal posso pensar em como seria meu dia sem elas. Mas enfim, por que estou falando sobre isso? Porque dessa vez eu realmente queria uma despedida. Com tudo o que eu tivesse direito. Felicitações pelo tempo em que convivemos juntos e que meus antigos colegas me dissessem "coisa melhor tá por vir". Sei lá, essas coisas que se diz em despedidas e que eu sempre evito. Por mais que eu saiba que essa possa não ser uma em definitivo, eu queria que ela tivesse existido. Pra chorar, desabafar, agradecer por tudo, proferir cada palavra que eu vinha ensaiando há quase um mês...ou simplesmente dizer "tchau", pra apenas e tão somente sentir que esse ciclo fechou. Pra tirar esse gosto de "amanhã eu posso voltar pra cá". Pra sair de cabeça erguida e dizer à eles que eu ia seguir em frente. Ou se lá, apenas chorar e chorar, bancando a mulherzinha sensível que eu sempre odeie em mim. E talvez, por menor que fosse, eu queria ter uma. Queria que fosse com a boa e velha pizza de sempre posta na mesa de pautas. E no final da tarde sair da sala e dizer "tchau" ao invés do "até amanhã" que eu nunca mais vou dizer. 

domingo, janeiro 19, 2014

365

365 dias.
14 meses.
3 réveillons.
Um e outro vai e vem.




A conta não bate, né? 
É...esses somos nós! Opostos. Com-ple-ta-men-te opostos. Cheios de números, datas, e imprevisíveis até dizer chega. Ninguém nunca acreditou que poderíamos fazer dar certo, talvez nem nós mesmos. É difícil, nunca negamos. E quem disse que seria fácil? Às vezes a gente até exagera, mas no final dá certo. A gente faz dar. Mas o trabalho é interminável, e parece que na próxima não vamos mais dar conta de fazer hora extra. Mas toda vez que essa tal de "última chance" chega, a gente dá um jeitinho. Mil e um jeitos. Jeitos nossos, meio tortos, de tentar levar, de acreditar que, nem que seja só por mais um pouquinho, vai dar certo. Tem que dar! Afinal, são tantos números e eles ficam maior a cada segundo que parece que se fracassarmos, tudo foi em vão e não só dessa, mas daquela, da última e na primeira vez. 

Incontáveis foram as vezes que o fim chegou perto, que a gente se soltava e parecia que nunca mais ia conseguir reaver a situação, mas passou. Sempre passa. Como a de ainda pouco, não é? E talvez dê certo, sabe? Ou pelo menos a gente tenta. Cada toque, cada dia, cada sei lá o que, dá a entender que vale a pena continuar nesse entrave. Briga eterna de misturar o xadrez com listrado, água e azeite e todos os antônimos possíveis. De jogar na cara do destino que a gente não desiste, mesmo que esteja na nossa cara vez ou outra que a gente vai perder esse cabo de guerra. Mas sei lá, contigo aqui, ganho mais forças pra continuar segurando firme nessa corda pra, nem que seja nos acréscimos, ganhar esse jogo.

Esse é só o começo daquilo que aparentemente tinha tudo pra não ter começado. Mas a gente não tá nem aí pra tudo isso que vira e mexe dá errado. E mesmo que chegue uma hora que isso pareça ser maior do que as coisas boas, acho que somos tolos o suficiente pra continuar tentando. Pra fazer dar certo essa mistura improvável, capaz de me encher e esvaziar ao mesmo tempo. De me trazer sorrisos e fazer derramar lágrimas ao mesmo tempo. Até porque, nem só de rosas grandes amores são feitos. Tem vez que machuca, e como, mas quando a gente acredita nem que seja 1% que vai dar certo, todo o resto desaparece. Como nas tarde de sábado, domingo ou quinta naquele sofá verde, com a chuva fazendo o mundo desabar lá fora. E eu apenas lá, nos braços dele. Me roçando na barba dele e torcendo pra nunca sair de lá. Daquele abraço, que certamente é o meu melhor look do dia.